Sim, não está errada a data, é mesmo uma notícia de 2014, mas podia ter mais de quarenta anos, podia ser uma medida salazarista, daquelas que saltitam nos cérebros pequeninos, pequeninos, daqueles seres que se sentem ameaçados com a diferença. Daqueles que, por infortúnio ou má sorte nossa, por ação de um marketing poderoso, e abusando da boa vontade de um povo, calham estar ali a escrevinhar leis que nos estrangulam, nos amarram, nos atam pesos aos pés e nos atiram para um poço muito, muito fundo.
Sendo do Fascismo sinónimo de muitas coisas feias, muito feias, de coisas pequenas, reles, de maus sentimentos, de ignorância gritante, de mesquinhez, de estupidez, de egoísmo e maldade pura... e sendo estes senhores que nos governam neste século XXI que nos prometia tanto, não outra coisa senão fascistas, nada de bom nos resta dizer sobre as suas ações. Lamentamos. Lamentamos muito. Lamentamos sentidamente. E do fundo do coração, mesmo cá do fundo, desejamos que todos estes senhores, todos estes empacotadinhos feitos à medida dum marketing capitalista, todos estes subprodutos dum cruel sistema económico que não olha a meios, a todos desejo que vão à merda! E que me perdoe quem me sabe correta e usualmente incapaz de tais termos menos próprios. Mas chega, bolas, chega!
Fica a notícia: desigualdade de oportunidades na educação
Mais não digo, para que não me torne imprópria.
Cá por casa é assim: dois disléxicos, uma não disléxica (que calhou ser eu, a mãe), um cão ainda não sinalizado, mas que temos as nossas desconfianças, e uma gata que, essa sim, talvez saia mais ao meu lado… Enfim, na verdade a minoria é «não designada», indefinida. Os restantes (marido e filha), a tal maioria afortunada, recebeu designação: DISLÉXICOS! Coisas de época… É com estas e outras que deambularei por aqui.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
S.O.S. Sorrisos!!!!
E pronto, já aconteceu. Foi ontem que Montemor recebeu a visita da APPDAE, numa sessão que nos ocupou a tarde, mas que ficará, seguramente, a ocupar-nos o coração durante muito mais tempo.
Lá fomos, durante a dita tarde, balançando entre a lagrimita ao canto do olho, e a mais forte determinação em lutar pelos direitos dos nossos filhos, alunos, maridos, etc.
E entre mitos e receios, percebemos que somos muitos a passar pelo mesmo.
Somos muitos a não perceber os sinais da menina caladinha, que não quer participar nem ir ao quadro. Somos muitos a não entender o miúdo irrequieto, que faz tudo na aula, menos o que deve. Somos muitos a esgotarmo-nos em horas e horas extra de apoio e orientação, e a ver constantemente defraudados os esforços imensos destas crianças, jovens, adultos.
E somos poucos a perceber a total indiferença, ou exclusão, do nosso Estado dito Democrático/ Inclusivo/ Justo/....
Os números de alunos com DAE são brutais. Os valores que o Estado gasta no seu apoio, divulgação, formação, são nulos.
O esforço despendido por um aluno com dislexia é 5 vezes superior ao de aluno regular. O número de vezes que o seu esforço é recompensado é inversamente proporcional...
Mas o que marcou mais, que tudo o resto já íamos mais ou menos sabendo, de algum calejo nesta coisa, foi a apresentação de um estudo que revela que os alunos com dislexia têm um grande défice de sorrisos. Pois, aquela coisa do reforço positivo «boa, conseguiste!» (acompanhado de um sorriso), «fantástico, muito bem» (mais sorriso), »vejam, o M foi o primeiro!» (grande sorriso) raramente acontece a um aluno com dislexia. Lá se vão os sorrisos... e depois estranhamos que não queiram ir para a escola, onde todos os dias são obrigados a subir a uma montanha, mas todos os dias ficam para último, e não chegam, não chegam,... E estranhamos que queiram mandar a montanha às urtigas...
Bolas, que isto às vezes dói!
Lá fomos, durante a dita tarde, balançando entre a lagrimita ao canto do olho, e a mais forte determinação em lutar pelos direitos dos nossos filhos, alunos, maridos, etc.
E entre mitos e receios, percebemos que somos muitos a passar pelo mesmo.
Somos muitos a não perceber os sinais da menina caladinha, que não quer participar nem ir ao quadro. Somos muitos a não entender o miúdo irrequieto, que faz tudo na aula, menos o que deve. Somos muitos a esgotarmo-nos em horas e horas extra de apoio e orientação, e a ver constantemente defraudados os esforços imensos destas crianças, jovens, adultos.
E somos poucos a perceber a total indiferença, ou exclusão, do nosso Estado dito Democrático/ Inclusivo/ Justo/....
Os números de alunos com DAE são brutais. Os valores que o Estado gasta no seu apoio, divulgação, formação, são nulos.
O esforço despendido por um aluno com dislexia é 5 vezes superior ao de aluno regular. O número de vezes que o seu esforço é recompensado é inversamente proporcional...
Mas o que marcou mais, que tudo o resto já íamos mais ou menos sabendo, de algum calejo nesta coisa, foi a apresentação de um estudo que revela que os alunos com dislexia têm um grande défice de sorrisos. Pois, aquela coisa do reforço positivo «boa, conseguiste!» (acompanhado de um sorriso), «fantástico, muito bem» (mais sorriso), »vejam, o M foi o primeiro!» (grande sorriso) raramente acontece a um aluno com dislexia. Lá se vão os sorrisos... e depois estranhamos que não queiram ir para a escola, onde todos os dias são obrigados a subir a uma montanha, mas todos os dias ficam para último, e não chegam, não chegam,... E estranhamos que queiram mandar a montanha às urtigas...
Bolas, que isto às vezes dói!
segunda-feira, 17 de março de 2014
Para pais e filhos, um livro especial...
Da coleção Geniozinhos, um livro sobre dislexia: Se És tão Esperto, Porque É Que não Sabes Escrever “Sussurrar”?
Texto: Barbara Esham
Ilustração: Mike e Carl Gordon
Edição Arte Plural Edições
E se afinal for ao contrário, e descobrimos que o nosso pai é que tem dificuldades em escrever e ajudar-nos nos T.P.C.'s?
http://www.theadventuresofeverydaygeniuses.com/
Texto: Barbara Esham
Ilustração: Mike e Carl Gordon
Edição Arte Plural Edições
E se afinal for ao contrário, e descobrimos que o nosso pai é que tem dificuldades em escrever e ajudar-nos nos T.P.C.'s?
http://www.theadventuresofeverydaygeniuses.com/
segunda-feira, 10 de março de 2014
Exames e dislexia
Remeto para a leitura do blog INCLUSO: http://inclusaoaquilino.blogspot.pt/2014/03/os-alunos-dislexicos-e-as-provas-ou.html, de 09 de março de 2014.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Os fofos pirosos
Uma das coisas giras em acompanhar o crescimento dos nossos
miúdos é, para além do constante reposicionamento no mundo a que nos obrigam, o
que só por si é um feito extraordinário, é, dizia, os constantes travellings ao
nosso passado e àquilo que fomos e fizemos, que contribuiu para definir o que
somos hoje.
Isto tudo para chegar a um tema muito menos prosaico do que
aparenta: lembrei-me, há uns dias, das manias que a malta tinha quando era
adolescente. E quando digo malta digo mal, na verdade não era toda a malta,
eram mesmo as miúdas. Nós, as miúdas, tínhamos algumas manias, sim, há que
assumir. Pirosas, mesmo. Tontas e inócuas, ou talvez não tanto.
Bom, mas uma dessas manias era achar que ter boa nota num
teste não dependeria tanto do que sabíamos ou não, do que tínhamos estudado ou
não. Talvez nem dependesse do nosso quociente intelectual. Era mais uma questão de sorte. E vistas as coisas desse prisma (teoria que qualquer mente preguiçosa
subscreve inteiramente, claro!), havia que dar uma ajudita ao destino, não fosse a coisa falhar.
Ajudita tipo... estudar mais? Hmmm, para quê se podemos arranjar qualquer
coisa muito mais gira e pirosa? Eureka! Alguma mente iluminada teve um rasgo: usar coelhinhos-mascote, miniaturas em
borracha bem cheirosas, com laços cor de rosa na cabeça e um sorriso
estupidamente amoroso. Óbvio! Punha-se o dito em cima da secretária riscada
(com sorte com uns riscos que eram mesmo a matéria do teste) e era tiro e queda (às vezes mais a queda que o tiro).
Portanto, qualquer miúda que se prezasse transportava um
desses pirosos fofos na mala nos dias de teste. O melhor era até levar dois ou
três, que nós, miúdas, somos mulheres prevenidas.
Se, ao chegar à sala, percebêssemos que o fofo piroso tinha
ficado em casa, era o pânico total!!! Mesmo!!!
Sim, lembrei-me dos fofos pirosos porque, nesse tal outro
dia, a minha filha abriu a mala e teve um ataque de pânico…total!!! E de repente o tal
travelling… vai-me dizer que lhe falta algum piroso..?
- Mãe, já não tenho
corretor para a escola!!! Pânico!!!
(…)
A sério, tinta corretora? Não é o verniz que lhe falta, nem nenhuma
mascote, nem sequer a senha do almoço. O essencial mesmo, para uma adolescente disléxica,
é a tinta corretora, para quando for
calmamente rever o que escreveu… Assim à laia de bote salva-vidas...
Os
fofos pirosos tornaram-se ainda mais estúpidos do que eu me lembrava!
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Ação de esclarecimento sobre Dislexia em Montemor-o-Novo
A APPDAE (Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades de Aprendizagem Específicas) respondeu prontamente ao nosso convite, e virá a Montemor no dia 26 de março para uma ação de sensibilização sobre a DISLEXIA. A ação é sobretudo dirigida a pais, encarregados de educação e professores, para que possam conhecer, identificar e apoiar os estudantes com dislexia.
A participação é gratuita, mas convém fazer pré-inscrição, para sabermos com quantas pessoas contamos, por mail ou telefone: escolaemmovimento@gmail.com / Sofia Borges: 963.433.623.
Cá vos esperamos!
A participação é gratuita, mas convém fazer pré-inscrição, para sabermos com quantas pessoas contamos, por mail ou telefone: escolaemmovimento@gmail.com / Sofia Borges: 963.433.623.
Cá vos esperamos!
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
As variações biológicas dos cérebros de disléxicos e não-disléxicos segundo Amanda Morin
Fonte: http://www.ncld.org/types-learning-disabilities/adhd-related-issues/adhd/adhd-brain-differences
«There are biological reasons why kids with ADHD don’t learn or behave like their peers. Here’s a look at how the ADHD brain is structured and functions compared to the non-ADHD brain.
Area of the brain | What it does | How it looks in the non-ADHD brain | How it looks in the ADHD brain |
| Frontal lobe | Controls focus, concentration, decision making and the ability to filter distractions. Also handles executive functions like organization and planning. | Works effectively. | Is underactive and up to 10 percent smaller in size than in a non-ADHD brain. |
| Mid-cortex (brain’s gray matter) | Is associated with controlling movement and paying attention. | Thickens and matures by age 7 or 8. | Thickens and matures by age 9 or 10. |
| Prefrontal cortex | Is linked to impulsivity, self-control, attention and activity level. | Uses the brain chemical dopamine effectively to do its job. | Doesn’t use dopamine effectively and/or uses too little. This area is also smaller than in the non-ADHD brain. |
| Neural network in the temporal lobe | Is the brain “wiring” system that carries messages telling the brain how to control movement, thought processes, speech, etc. Also processes auditory information. | Performs stop/go tasks at a normal rate—like in the game “Red Light, Green Light.” | Performs both “stop” and “go” tasks slower than in a non-ADHD brain. Kids are slower to “go” and are unable to “stop” effectively. |
| Reticular activating system (RAS) | Connects outside signals to signals in the brain using the brain chemical norepinephrine. These connections help with processing information, paying attention to a specific task and regulating self-control. | RAS works correctly, sending signals and norepinephrine to the area. That action releases the chemical dopamine, which controls the attention center of the brain. | RAS is overactive or underactive due to too much or too little norepinephrine, so the brain releases too much or not enough dopamine. The brain also has fewer cells in this area, which reduces the connections the brain makes. |
Understanding that behaviors like hyperactivity and impulsivity are caused by a medical condition can make it easier to parent a child with ADHD. Among the many ways you can help are by making some changes at home and seeking accommodations at school.
Amanda Morin is an education and parenting writer who uses her experience as an early interventionist and teacher to inform her writing. Her work appears on many parenting websites and she is the author of two books, including The Everything Parent’s Guide to Special Education.»
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
4º passo - o banco dos réus
Tenho sempre aquela sensação de culpa quando estou dentro do carro, à espera que fique sinal verde e, lentamente, me surge um carro da GNR que pára mesmo ao meu lado, com 2 figurões de óculos escuros, que me olham fingindo que não olham. Nada a fazer, assolapa-me aquele subtil formigueiro no estômago, tramado, que teima em permanecer enquanto revejo mentalmente todas as confirmações de que não estou em nenhum incumprimento da lei, tenho a carta, o livrete está ali, paguei o seguro,..., tudo ok, e tento persuadir-me de que estou inocente, mesmo sabendo que na verdade sou mesmo inocente!?!
É igual. No dia em que pedimos a abertura do processo para que os nossos filhos sejam sinalizados na escola por alguma dificuldade de aprendizagem ou outra, assinamos a sentença e, inevitavelmente, teremos que nos sentar no banco dos réus e sentir o tal formigueiro.
Não basta a dificuldade em si, a luta diária para tentar compreender algo para o qual não estamos nunca suficientemente preparados, a impotência que constantemente sentimos por não conseguirmos aniquilar uma característica que, assim de repente, nos parece uma barreira intransponível. Não basta. A sociedade faz-nos o favor de nos presentear com muito mais. Na melhor das intenções, seguramente, como será na melhor das intenções que a polícia patrulha as estradas, claro, para prevenir e/ou remediar. Espera-se.
Ainda assim, ainda que seja para isso que nos sentamos numa sala de reuniões banal, numa escola banal, numa cadeira banal, com 5 ou 6 profissionais dos quais sempre desconhecêramos a existência e que nunca mais viríamos a ver, profissionais esses muito condescendentes e sorridentes, ainda assim, ou precisamente por isso, o tal formigueiro tramado instala-se.
E percebemos o que sentem os nossos filhos, ao serem escrutinados num interrogatório aborrecido e, por vezes, um pouco melindroso e, também por vezes, um pouco humilhante.
Somos inocentes, caramba! Não somos é todos iguais. É preciso ter licença, para ser diferente? Uma autorização decretada por uns estadistas-gravatinhas? Chatice! Batatas e agrião, como dizia o Sr. Toupeira.
É só o que apetece dizer, batatas e agrião! Couves e chouriço!
Mas não, lá respondemos ao questionário, lá aguentamos com a avaliação da miúda, e a nossa, enquanto entidade parental. Sempre sorridentes, os profissionais condescendentes, e nós sempre a pensar «Estão a tomar demasiadas notas, o que é que terei feito de errado? O que é que falta? O que é que terei dito mal? Ou menos bem? Parecemos excessivamente protetores? Ai, agora parecemos descuidados. Ai!»
Mas bom, são só algumas sessões, a maioria só com 1 profissional, e a diretora de turma, sempre amável e presente. E nunca percebemos bem ao que vamos. E levamos a miúda? E não levamos? «Como preferir, mãe», dizem, como quem está a dizer outra coisa, insondável, como quem diz: até nisso a vamos avaliar.
E levamos. Ah, bolas, se calhar era melhor não ter vindo, coitada. Que seca! E ter que ouvir assim, de chofre, assim no papel, todas as suas (in)capacidades, tudo o que é e não é, tudo o que consegue e não consegue, assim, de forma tão crua e tão redutora, assim se avalia uma pessoa num escrutínio meramente intelectual. E se enxofram uns pais, que só têm vontade de deitar tudo às urtigas, pegar na miúda e não mais voltar a este universo que se afigura cruel. E ficamos a pensar se escolhemos o bom caminho, o menos mau, o que tinha que ser, ou sei lá. Sabemos lá.
Para a próxima não vem. A miúda. Ah, chatice, afinal era para ter vindo.... Alho francês e hortelã!
E aguentamos. Com o formigueiro. Se a miúda aguentou, não houvéramos nós de aguentar, pois então?
E o carro da GNR passa, lento, mas passa.
Ufa, desta correu bem. Vamos à próxima. Mas sempre atentos, ainda assim...
É igual. No dia em que pedimos a abertura do processo para que os nossos filhos sejam sinalizados na escola por alguma dificuldade de aprendizagem ou outra, assinamos a sentença e, inevitavelmente, teremos que nos sentar no banco dos réus e sentir o tal formigueiro.
Não basta a dificuldade em si, a luta diária para tentar compreender algo para o qual não estamos nunca suficientemente preparados, a impotência que constantemente sentimos por não conseguirmos aniquilar uma característica que, assim de repente, nos parece uma barreira intransponível. Não basta. A sociedade faz-nos o favor de nos presentear com muito mais. Na melhor das intenções, seguramente, como será na melhor das intenções que a polícia patrulha as estradas, claro, para prevenir e/ou remediar. Espera-se.
Ainda assim, ainda que seja para isso que nos sentamos numa sala de reuniões banal, numa escola banal, numa cadeira banal, com 5 ou 6 profissionais dos quais sempre desconhecêramos a existência e que nunca mais viríamos a ver, profissionais esses muito condescendentes e sorridentes, ainda assim, ou precisamente por isso, o tal formigueiro tramado instala-se.
E percebemos o que sentem os nossos filhos, ao serem escrutinados num interrogatório aborrecido e, por vezes, um pouco melindroso e, também por vezes, um pouco humilhante.
Somos inocentes, caramba! Não somos é todos iguais. É preciso ter licença, para ser diferente? Uma autorização decretada por uns estadistas-gravatinhas? Chatice! Batatas e agrião, como dizia o Sr. Toupeira.
É só o que apetece dizer, batatas e agrião! Couves e chouriço!
Mas não, lá respondemos ao questionário, lá aguentamos com a avaliação da miúda, e a nossa, enquanto entidade parental. Sempre sorridentes, os profissionais condescendentes, e nós sempre a pensar «Estão a tomar demasiadas notas, o que é que terei feito de errado? O que é que falta? O que é que terei dito mal? Ou menos bem? Parecemos excessivamente protetores? Ai, agora parecemos descuidados. Ai!»
Mas bom, são só algumas sessões, a maioria só com 1 profissional, e a diretora de turma, sempre amável e presente. E nunca percebemos bem ao que vamos. E levamos a miúda? E não levamos? «Como preferir, mãe», dizem, como quem está a dizer outra coisa, insondável, como quem diz: até nisso a vamos avaliar.
E levamos. Ah, bolas, se calhar era melhor não ter vindo, coitada. Que seca! E ter que ouvir assim, de chofre, assim no papel, todas as suas (in)capacidades, tudo o que é e não é, tudo o que consegue e não consegue, assim, de forma tão crua e tão redutora, assim se avalia uma pessoa num escrutínio meramente intelectual. E se enxofram uns pais, que só têm vontade de deitar tudo às urtigas, pegar na miúda e não mais voltar a este universo que se afigura cruel. E ficamos a pensar se escolhemos o bom caminho, o menos mau, o que tinha que ser, ou sei lá. Sabemos lá.
Para a próxima não vem. A miúda. Ah, chatice, afinal era para ter vindo.... Alho francês e hortelã!
E aguentamos. Com o formigueiro. Se a miúda aguentou, não houvéramos nós de aguentar, pois então?
E o carro da GNR passa, lento, mas passa.
Ufa, desta correu bem. Vamos à próxima. Mas sempre atentos, ainda assim...
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Zacas, Zecas, Zicas, Zocas, Zucas
Tenho uma tia que, quando éramos mais pequenos (nós, lá de casa, mais a catrefada de primos), às vezes passava uns dias connosco nas férias. Era daquelas tias cuja imaginação fértil nos fascinava!!!
Não era (nem é) nada daquelas pessoas de gugu dadá, nada de bebezices nem infantilices.
Mantinha um ar seríssimo no seu discurso, aquele ar que nos fazia balouçar entre o real e o absurdo.
Todas as noites ela ia visitar-nos ao quarto e contava uma história. Mas calma, não era sempre ela.
Uma noite era a Zacas (de verdade!), outra a Zecas, depois vinha a Zicas, a Zocas e a Zucas. Cada noite éramos visitados por uma diferente personagem, embora o invólucro fosse o mesmo, o que ainda aumentava mais a magia.
Bom, cá em casa às vezes também tenho destas visitas, em permanência, mas nunca sei por quanto tempo....
Chego a baralhar-me, só não desespero graças à Zacas (ou Zecas, ou Zicas....)!
Passo a explicar, e quem vive com disléxico é capaz de me entender:
Dia 1
- Mãe, amanhã tenho teste de matemática, só hoje a professora avisou! Pânico!
- Ok, vá, vamos lá ver o que é que sai - digo eu, aparentemente calma, eu que ODEIO matemática visceralmente, mas vá...
E lá vamos ver, a afinal a miúda sabe tudo, e tão bem, explicou-me tudo na maior, notações científicas e afins, bom, ufa, que alívio!
- Vês, afinal sabes, vai correr tudo bem, boa!
Dia 2
- Então o teste, querida?
- Desgraça total!
- Mas então, não saiu o que estudámos?
- Sim, mas esqueci-me de como se fazem as notações...
- Mas como, esqueceste-te? Foste tu que me ensinaste, estava tudo tão consolidado, não percebo...?
- Ó mãe, esqueci-me. E depois tive mais 45 minutos de aula, e não consegui escrever nada.
- Em 45 minutos não escreveste nada? Absolutamente nada?
- Ó mãe, perdi-me, 1º eram os sumários, não apanhei, depois tentei escrever o que a professora estava a ditar, mas também não apanhei, depois tentei voltar aos sumários e copiar da colega do lado, mas baralhei-me, passei a aula 57 no sítio da 56 mas a dizer 51...
- Ó Meu Deus, eu é que já me perdi!
- Pois, eu também!
- Ah, mãe, e é verdade, amanhã combinei encontro antes do jantar às 7h15.
- Mas o jantar não é no sábado?
- Ah, pois, é depois de amanhã...
- E não é às 8h? Demoram 45 minutos para subir a rua????
- Ah, sim, pois, é às 7h45 o encontro..
Compreendem? Um dia tenho uma Zacas, responsável, que sabe as horas, que aponta tudo para não esquecer nada, e vejo uma luz ao fundo do túnel - Oh, está tudo a encaminhar-se, que bom! Fico tão babada...
No dia seguinte, sem nenhuma explicação aparente, surge uma Zecas distraída, que se perde nas horas e nos dias, e que bloqueia assim, do nada!
Amanhã, teremos Zocas? Zucas? Hmmm.... mistério...
Ainda bem que odeio a rotina! Ufa! :)
Não era (nem é) nada daquelas pessoas de gugu dadá, nada de bebezices nem infantilices.
Mantinha um ar seríssimo no seu discurso, aquele ar que nos fazia balouçar entre o real e o absurdo.
Todas as noites ela ia visitar-nos ao quarto e contava uma história. Mas calma, não era sempre ela.
Uma noite era a Zacas (de verdade!), outra a Zecas, depois vinha a Zicas, a Zocas e a Zucas. Cada noite éramos visitados por uma diferente personagem, embora o invólucro fosse o mesmo, o que ainda aumentava mais a magia.
Bom, cá em casa às vezes também tenho destas visitas, em permanência, mas nunca sei por quanto tempo....
Chego a baralhar-me, só não desespero graças à Zacas (ou Zecas, ou Zicas....)!
Passo a explicar, e quem vive com disléxico é capaz de me entender:
Dia 1
- Mãe, amanhã tenho teste de matemática, só hoje a professora avisou! Pânico!
- Ok, vá, vamos lá ver o que é que sai - digo eu, aparentemente calma, eu que ODEIO matemática visceralmente, mas vá...
E lá vamos ver, a afinal a miúda sabe tudo, e tão bem, explicou-me tudo na maior, notações científicas e afins, bom, ufa, que alívio!
- Vês, afinal sabes, vai correr tudo bem, boa!
Dia 2
- Então o teste, querida?
- Desgraça total!
- Mas então, não saiu o que estudámos?
- Sim, mas esqueci-me de como se fazem as notações...
- Mas como, esqueceste-te? Foste tu que me ensinaste, estava tudo tão consolidado, não percebo...?
- Ó mãe, esqueci-me. E depois tive mais 45 minutos de aula, e não consegui escrever nada.
- Em 45 minutos não escreveste nada? Absolutamente nada?
- Ó mãe, perdi-me, 1º eram os sumários, não apanhei, depois tentei escrever o que a professora estava a ditar, mas também não apanhei, depois tentei voltar aos sumários e copiar da colega do lado, mas baralhei-me, passei a aula 57 no sítio da 56 mas a dizer 51...
- Ó Meu Deus, eu é que já me perdi!
- Pois, eu também!
- Ah, mãe, e é verdade, amanhã combinei encontro antes do jantar às 7h15.
- Mas o jantar não é no sábado?
- Ah, pois, é depois de amanhã...
- E não é às 8h? Demoram 45 minutos para subir a rua????
- Ah, sim, pois, é às 7h45 o encontro..
Compreendem? Um dia tenho uma Zacas, responsável, que sabe as horas, que aponta tudo para não esquecer nada, e vejo uma luz ao fundo do túnel - Oh, está tudo a encaminhar-se, que bom! Fico tão babada...
No dia seguinte, sem nenhuma explicação aparente, surge uma Zecas distraída, que se perde nas horas e nos dias, e que bloqueia assim, do nada!
Amanhã, teremos Zocas? Zucas? Hmmm.... mistério...
Ainda bem que odeio a rotina! Ufa! :)
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
A tal da CIF, porque há sempre quem tenha preferências diferentes (ou quem não tenha outro remédio)
Para quem chegou agora, a CIF é: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde:
https://docs.google.com/file/d/0B0IhqmAtQ2o6Z29GZ193WkdlOWM/edit
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